Autor: Nandão - Categoria:
| 6 comentários ]

Não é pecado mudar de opinião. Não só não é pecado mudar de opinião como é uma alegria, uma prova de apurada sensibilidade e de inteligência prática. O mundo muda e nós também. De outra forma seria uma sensaboria.

Neste capítulo, o que o futebol tem de maravilhoso é que havendo jogos todas as semanas, todas as semanas mudamos de opinião face à avalanche de novos factos produzidos em noventa minutos, mais o tempo de compensação. Por todo o mundo onde se joga à bola, cada jornada atira com os adeptos para um caldeirão de realidade diferente do caldeirão da realidade anterior.



Tomemos por exemplos dois dos maiores clubes do mundo: o Real Madrid e o Benfica. Oficialmente não se cruzam em disputas no relvado há mais de quarenta anos, mas os dois gigantes ibéricos têm mantido ao longo das respectivas histórias alguns pontos em comum que implicam, pois com certeza, fabulosas mudanças de opinião num campo e no outro.

Recuemos até ao último Verão. E como fazia calor.

Em Madrid era recebido com honras faraónicas o português Cristiano Ronaldo. O estádio Santiago Bernabéu albergou uma multidão delirante só pelo prazer de ver Cristiano Ronaldo, equipado de branco, subir a um palanquim e pronunciar umas palavras num portunhol que a ocasião plenamente justificava.

Naquele momento nenhum adepto do Real Madrid duvidou, por um instante que fosse, da temporada de glória que tinha pela frente. As opiniões nem se dividiam: não haveria equipa no mundo que conseguisse, sequer, empatar um jogo com los blancos. Nas imediações de Chamartín, os que não conseguiram lugar no estádio torciam as mãos em desespero e corriam para os botequins mais próximos para assistir pela televisão à entronização do apolo madeirense.

Em Lisboa, o ambiente era diferente, muito diferente.

Ao Estádio da Luz acabara de chegar um espanhol de Chamartín. E se não esteve no estádio Santiago Bernabéu, com os seus, a deleitar-se com a apresentação de Cristiano Ronaldo, não foi porque tivesse chegado tarde à cerimónia. Foi porque não tinha, objectivamente, lugar. Não tendo lugar, não viu nada e foi mandado para Lisboa, depois de vendido ao Benfica.

As opiniões dos benfiquistas, naquele momento, não foram nada simpáticas. Estávamos no Verão, como se recordam, e pelas praias, de toldo para toldo, lamentavam-se em voz alta entre o irónico e o céptico:

— Isto é incrível, demos 7 milhões de euros por um suplente do Real Madrid!

— Isto é que é deitar dinheiro à rua!

— Mas quem é este Javi García?

— É um nabo qualquer que eles para lá tinham… 7 milhões de euros, francamente!

— Fez só três jogos na época passada…

— Nesse caso deve vir descansadinho… — e esta foi, ainda assim, a opinião mais positiva com que a notícia da contratação do «nabo» espanhol foi encarada em Portugal no mês de Julho.

Agora que Novembro já vai quase a meio, as opiniões mudaram. Mudaram em Madrid e mudaram em Lisboa. E neste início de semana, sem exagero ou com exagero, como preferirem, as opiniões radicalizaram-se nas duas capitais.

Em Madrid, encheu-se outra vez o estádio Santiago Bernabéu mas, desta vez, não foi para ver Cristiano Ronaldo. Foi para garantir à equipa do Alcorcón, da II Divisão B espanhola, uma prolongada ovação assim que terminou o jogo da segunda mão dos 16-avos-final da Taça do Rei. Os alcorcónenses, que tinham goleado, em casa, com grande exagero por 4-0, aguentaram-se com grande valentia no campo mítico do adversário e afastaram, sem exagero, o Real Madrid da famosa competição.

— No entiendo cómo ocurrió…

— Que falta nos hace Ronaldo… — queixavam-se os adeptos do Real na noite de terça-feira.

Estão, contudo, profundamente enganados.

Na noite de véspera, no Estádio da Luz, o diagnóstico da doença do Real Madrid já tinha sido traçado, com precisão científica por Rui Costa. Assim que o jogo com a Naval acabou, o jovem director desportivo do Benfica entrou em campo e correndo para Javi García abraçou-o, beijou-o e puxou-lhe as orelhas num gesto de grande carinho. Compreende-se a reacção de Rui Costa. Imagine-se só o que terá ouvido quando em Julho gastou 7 milhões de euros com um «nabo» espanhol, suplente do Real Madrid…

Nas bancadas, o público não se cansava também de aplaudir o autor do golo que, a um minuto do fim, garantiu a vitória ao Benfica. Que bem que ele afinal joga. E que bem que fala.

— Foi uma honra para mim ter marcado este golo — disse escolhendo tão bem as palavras que até dá vontade de lhe puxar as orelhas, com carinho.

E, satisfeitos, os benfiquistas regressaram a casa já entretidos a conversar sobre o próximo compromisso da Selecção Nacional.

— Não sei se o Cristiano Ronaldo faz mais falta à Selecção se ao Real Madrid… — lançou o mote um intelectual dos nossos.

— Quem faz falta ao Real Madrid é o Javi García não é o Cristiano Ronaldo! — logo o interrompeu um outro, ainda mais intelectual.

E com muita razão. Pelo menos foi essa a opinião de toda aquela gente.

***********************

Por falar em fazer falta… José Eduardo Bettencourt, quando Paulo Bento se despediu, disse que 90 por cento dos sportinguistas já sentiam saudades do treinador e que, num curto espaço de tempo, seriam 100 por cento dos sportinguistas a ter saudades de Bento. Missão cumprida, já são 100 por cento! Ao assumir penosamente sozinho o discurso oficial do Sporting, Paulo Bento desgastou-se de um modo absurdo mas, honra lhe seja feita, protegeu os sportinguistas dos discursos do seu presidente. Sem Paulo Bento, Bettencourt tem sido o orador de serviço. Já nos informou que o perfil do próximo treinador será «do sexo masculino, caucasiano», que a agitação que se vive em Alvalade «tem a ver com a cultura visigótica», infelizmente mais radicada «a norte do Tejo», porque «entre os visigodos, o pai puxava as orelhas a quem se portava mal e tudo ficava em ordem», terminando por lamentar que não se possa «mudar a sede social de Lisboa para o norte…»

A falta que faz Paulo Bento.

PS: Robert Enke esteve três temporadas no Benfica e quando o seu contrato estava a chegar ao fim foi muito claro com o clube e com os adeptos que sempre o estimaram. Não quis renovar e não se quis entregar nas mãos de nenhum empresário. Considerava-se, e bem, o dono da sua vida, jogava com a carta na mão e era livre de ir para onde quisesse sem dar troco a terceiros. No final da temporada de 2001/2002, quando o árbitro apitou para o fim do último jogo que faria no Estádio da Luz, Robert Enke antes de recolher à cabina resolveu despedir-se dos adeptos do Benfica e, sozinho, deu uma volta ao estádio aplaudindo e sendo aplaudido. Foi um momento bonito e raro de um jogador que, sendo dono da sua vida, se despediu com carinho de quem tanto gostou dele. Contente ele, contentes ficaram todos. Anteontem à noite, numa passagem de nível em Eilvese, nos subúrbios de Hannover, Robert Enke, o dono da sua vida, foi-se embora de vez. Triste, tão triste ele e todos tão tristes.

Por Leonor Pinhão, Edição 12 Novembro 2009 - Jornal "A Bola"

6 comentários

Benfica Eagle disse... @ 12 de Novembro de 2009 14:26

Eu fui um dos que tive dúvidas do valor pago, e da qualidade do jogador tendo em conta o que os adeptos do real diziam.

Agora só posso chegar à conclusão que os adeptos do Real Madrid não percebem patavina de futebol :)

BENFICA1975 disse... @ 12 de Novembro de 2009 21:54

E eu até escrevi um post a dizer que era muita chicha.

Que rico paqueton que nos enviaram de Madrid.

Não se arranja mais nada? Quem sabe....

AAAtttccchhhimmmm

vafm67 disse... @ 12 de Novembro de 2009 21:50

.
Ex(a)s Sr(a)s
ERC

Venho por este meio apresentar queixa/reclamação contra o jornal “Record”, por desavergonhada falta de rigor informativo que falseia por completo a Verdade Desportiva.
Não se tratam de artigos de opinião, a rubrica em causa é a crónica do jornal do jogo Benfica-Naval, ora numa crónica de um jogo de futebol é pressuposto ser-se imaculadamente rigoroso e objectivo, principalmente tratando-se de uma área tão sensível como os casos do jogo relativamente à arbitragem. O jornaleiro em causa é o já famigerado vigarista ( criminoso ) das assassinas dualidades de critério anti-SLB, o indescritivelmente inefável antónio magalhães.
Está em causa um lance ( dentro da área do Benfica ) entre o Maxi Pereira e um jogador da Naval que o jornaleiro avençado diz que é pénalti. E outro lance dentro da área da Naval em que o defesa joga a bola com o pé muito alto e atinge o Saviola na cara ( com o pé ).

Vamos lá então examinar em pormenor a jogada do Máxi …
Dentro da área do Benfica, um jogador da Naval tem a bola em seu poder e perto de si encontrava-se o Maxi; o jogador da Naval tenta driblar o Maxi e desvia-lhe a bola, o Benfiquista foi mais incisivo e determinado e ficou em melhor posição na disputa pelo esférico, só que depois cometeu uma infantilidade e deu um pequeno “chega pra lá” com o braço esquerdo no jogador da Naval, este aproveitou e deixou-se cair.
As coisas têm que ser contextualizadas: acontece que um jogador, quando ganha a posição ( ao adversário ) em relação à bola pode abrir os braços para a proteger; e acontece várias vezes os jogadores empurrarem os adversários perto da linha de fundo quando a bola está quase a sair. Nesses casos os árbitros geralmente não marcam falta porque daí não se pode considerar que resulte um efectivo prejuízo para as equipas que eventualmente possam reclamar irregularidade(s).
Atendendo a tudo isto: o lance do Máxi é bastante duvidoso, a verdade é que nem se pode falar em “Jurisprudência”, em cerca de 50% dos lances análogos ao do Máxi os árbitros marcam pénalti e nos restantes ( cerca de 50% ) não marcam.

vafm67 disse... @ 12 de Novembro de 2009 21:52

Como era contra o Benfica, os avençados disseram logo que era pénalti, se fosse contra o sporting ou o porto diriam exactamente o contrário …
Conforme se demonstra de seguida em que transcrevo parte de uma Queixa que vos enviei apenas há uma semana.

« No lance do Miguel Veloso ( sporting 1 – 1 Marítimo ), houve uma deliberada utilização do braço esquerdo para obstruir a acção do Manu, o sportinguista empurrou o adversário e derrubou-o, tratou-se portanto de um pénalti claro. »

Se o árbitro marcasse pénalti do lance do Maxi, à luz do que foi dito, teria que se aceitar a decisão, mas o lance do Miguel Veloso é muito mais pénalti.
Primeiro porque o empurrão Miguel Veloso é mais claro do que o empurrão do Máxi.
Segundo porque o Manu ( jogador adversário do Miguel Veloso ) ia em grande velocidade ( coisa que não acontecia ao adversário do Maxi ), e quando assim é basta um pequeno empurrão para o jogador desequilibrar.
Terceiro porque o Manu estava em clara vantagem sobre o Miguel Veloso em relação à bola, e tornou-se perceptível que o Miguel Veloso socorreu-se do empurrão para anular essa desvantagem. Enquanto no outro lance era o Máxi que estava em vantagem sobre o adversário em relação à bola.
Mas, inacreditavelmente, apesar de todos estes claros indícios, os jornaleiros avençados disseram que o lance do Máxi era pénalti e que o lance do Miguel Veloso não era pénalti.

No jogo da Luz houve também um lance dentro da área da naval em que o defesa joga a bola com o pé à altura da cabeça do Saviola atingindo-o na cara. É sempre falta porque o defesa jogou a bola com o pé muito alto, e é falta directa porque o defesa atingiu o Saviola na cara com o pé. Como era dentro da área, era pénalti.
Mas a este lance, os avençados nem sequer fizeram referência!

Finalmente, no jogo Rio Ave 2 – 2 sporting, um lance em que as imagens não são esclarecedoras, e o árbitro marcou pénalti contra o Rio Ave por pretensamente o defesa ter jogado a bola com o braço dentro da área. Como era a favor do sporting os avençados disseram que era pénalti; se fosse o Benfica que estivesse em causa, diriam exactamente o contrário.

Este planeta tem cerca de 6800 milhões de pessoas, se lhes perguntássemos qual o lance mais merecedor de pénalti, o do Máxi ou o do Saviola, 6796 milhões diriam que era o do Saviola.
Os outros 4 milhões são os vigaristas ( criminosos ), os avençados e os idiotas chapados verdes-azuis!

OS JOGOS MUDAM, MAS AS MANHAS E MENTIRAS DOS AVENÇADOS E CRIMINOSOS DO SISTEMA CONTINUAM DESAVERGONHADA E IMPUNEMENTE A SER EXACTAMENTE AS MESMAS … !!!

vafm67 disse... @ 12 de Novembro de 2009 21:53

.

Para fundamentar ainda melhor a minha Queixa transcrevo um texto que pus a circular na Net para denunciar a situação:


Operação Secretaria!


1 – Aqui há uns anos atrás, cometeu-se em Portugal uma das maiores aberrações jurídicas de que existe memória. Uma daquelas coisas que nem nos Países Totalitários costumam ser tão descaradas.

2 - O jogador ( do Benfica ) Hugo Leal começou a ter algumas divergências com os Dirigentes do SLB. As relações foram-se detiorando, e o jogador começou a falar em rescindir contrato … imagine-se só! … por justa causa! … por falta de condições psicológicas!
A coisa era tão ridícula, que qualquer pessoa com um mínimo de bom senso pensou que a brincadeira de péssimo gosto ficaria por ali. Mas não!
O sistema ( verde-azul ) arranjou uma ( salvo erro ) Comissão Arbitral que deu razão ao jogador. Toda a gente percebeu que assim os contratos deixavam de servir para o quer que fosse, a um jogador para se ver livre dos compromissos assumidos de livre vontade bastava-lhe dizer que não tinha condições psicológicas.
E assim foi, muitíssimo muito inacreditavelmente, o jogador saiu com justa causa do Benfica e foi para o Atlético de Madrid.

3 – Um ou dois anos depois, a aberração tornou-se descomunal. O jogador ( do Vitória de Guimarães ) Fernando Meira, começou a ter divergências com os dirigentes do clube. As relações foram-se detiorando, e o jogador começou a falar em rescindir contrato … por falta de condições psicológicas.
A tal Comissão Arbitral foi chamada a pronunciar-se sobre o caso … e … imagine-se só! … não deu razão ao jogador, mas sim ao Clube onde jogava ( Guimarães ). Para completar o “ramalhete”, é de referir que os elementos da Comissão eram exactamente os mesmos que tinham decidido em sentido contrário no caso do Hugo Leal.
O descaramento e sentimento de impunidade eram tais, que o sistema nem se deu sequer ao trabalho de mudar os corruptos da Comissão Arbitral.

4 – Agora aconteceu algo de aberrantemente parecido. O jogo sporting-Benfica de Juniores não chegou ao fim por causa dos desacatos entre adeptos. Como os lagartos jogavam em casa, a segurança do encontro estava a seu cargo; mas inacreditavelmente a federação atribuiu uma derrota ao Benfica e por consequência entregou o Titulo de mão beijada ao sporting.
SÓ NUM PAÍS DE CORRUPTOS PODE ACONTECER UMA COISA DESTAS … !!!

5 – O miserabilismo dos lagartos no seu “esplendor”, de joelhos a comerem as migalhas que o sistema lhes deixa no chão … para conseguirem ganhar um título de Juniores.
Da próxima vez que o sistema lixar o Benfica, ao menos que se dê ao trabalho de mudar os corruptos ( da Federação ) de serviço …

6 – Na quinta-feira seguinte ao braga-Benfica, ainda um jornaleiro d`A Bola ( hugo vasconcelos ) continuava a pregar no deserto e dizia que o golo do Luisão tinha sido bem anulado. Para tentar fundamentar o “infundamentavel” recorria a umas comparações completamente estapafúrdias e sem nenhum nexo.
Mas ainda nesse mesmo dia, no jogo Everton-Benfica, a criatura foi implacavelmente desmentida em directo e a cores. Num lance “de bola parada”, na área do Benfica, na tal luta desenfreada pela melhor posição o David Luís deu um pequeno agarrão na camisola de um adversário enquanto este o empurrava pelas costas, na altura em que a bola sobrevoava aquela zona.
O que fez o árbitro?
O que faria qualquer pessoa minimamente honesta … mandou seguir o jogo!
Se fosse em Portugal … era falta ( pénalti ) contra o SLB!


Com os melhores cumprimentos
Vítor Alexandre Ferreira Monteiro
.

Velha Guarda disse... @ 13 de Novembro de 2009 1:11

Também fui um daqueles que "torci o nariz". Agora lá por ser do Real, pagando 7 milhões....
Nos primeiros jogos apercebi- me de que a equipa estava a manobrar algo diferente, sentia-se qualquer coisa e aquele "matulão" parecia o patrão à frente dos defesas. O homem não me parecia "um tosco" , técnicamente perfeito, muita força, 90 minutos sempre no limite ....
Finalmente encontramos alguém que acabou com a passagem directa da defesa para ao ataque.
Parabens ao J.J. e ao Rui que foram buscar um excelente jogador que espero poder dar-nos muitas alegrias.
Saudações Benfiquistas.

Enviar um comentário