João Gabriel: «De repente gerou-se um movimento com que se tenta branquear o que sucedeu durante as primeiras 13 jornadas da Liga»Director de comunicação do Benfica tece duras críticas a António Salvador e Mesquita Machado, lembra que o Sp. Braga paga à câmara local 6 mil euros por mês pela utilização do estádio AXA que custou 130 milhões, considera sem sentido o recurso a juízes estrangeiros e ainda lança farpas sobre 'o que são pressões sobre árbitros...'
Por José Manuel Delgado
in Jornal A Bola
Que comentário merece ao Benfica a proposta que o presidente do Sp.Braga apresentou para os jogos dos três grandes serem arbitrados por estrangeiros?
- Não faz sentido seguir por aí. É uma proposta que diminui e condiciona a nossa arbitragem sem nenhuma garantia efectiva de melhoria. O que é necessário é valorizar os nossos árbitros, seja pela profissionalização, pela introdução de meios tecnológicos ou pelo alargamento da equipa para cinco árbitros. O importante é acreditar na competência dos nossos árbitros e das respectivas estruturas dirigentes. Esse deve ser o caminho. Sabem em que Ligas é que há árbitros estrangeiros a apitar? Na Ucrânia, no Qatar, na Arábia Saudita. É preciso ter algum decoro quando se faz certo tipo de propostas. Queremos organizar um Mundial de Futebol e ao mesmo tempo equiparamo-nos a este tipo de campeonatos?
- Um dos argumentos apresentados é que esses árbitros entrariam com menos pressão?
- Sabe como é que se retira a pressão aos árbitros? É não os recebendo em casa na véspera dos jogos e não promovendo encontros em cafés locais, na semana em que vão dirigir um jogo do clube ou em que acabam de arbitrar um adversário directo. É assim que se retira pressão aos árbitros.
Nós percebemos o que andam a tentar fazer. De repente gerou-se um movimento em se tenta branquear o que sucedeu durante as primeiras 13 jornadas da Liga. Há gente muito interessada em distorcer a realidade vivida até aqui.
- Falou de duas situações específicas, quer concretizar?
- Para utilizar uma expressão bem conhecida, 'vocês sabem de quem estou a falar'. O que não podemos permitir é ver alguns dirigentes apregoar a transparência em público, e 'armadilhar' as instituições desportivas em privado.
- Alguma reacção à declaração de António Salvador de que a 'mafia' terá mudado para Portugal?
- Cada um tem de ser responsabilizado pelas afirmações que produz. Em todo o caso ele saberá do que é que fala. Na última AG da Liga em que se discutiu o agravamento das penas de corrupção e a consagração do crime de tráfico de influências no RD, o Sp. Braga foi um dos dois clubes que pediu a suspensão dos trabalhos, pelos vistos ad eternum. As pessoas devem ser coerentes entre o que dizem e o que fazem. Não podem dizer uma coisa num dia e o contrário no dia seguinte.
- Hermínio Loureiro levou à Procuradoria as declarações de Mesquita Machado, tal como o Benfica tinha sugerido....
- E espero uma investigação célere e com consequências. Mesquita Machado parece insubstituível em Braga. Já foi tudo. Presidente do Sporting de Braga, Presidente da AG do Clube, e claro está, Presidente da Câmara há 33 anos. Até parece que a competência das gentes de Braga começa e acaba nele. Sempre assumiu um papel central na vida do Clube, ou pela atribuição de subsídios e terrenos, ou pela interferência directa que sempre teve na composição das diversas direcções. Esta confusão de papéis não é saudável. Mas enquanto presidente da AG da Federação exige-se outra postura. Mesquita Machado fez uma afirmação de uma enorme gravidade e deve responder por isso!
- Fala da confusão de papéis não ser saudável. Refere-se a quê?
- Ao facto, por exemplo, do Sporting de Braga pagar à Câmara Municipal 6 mil euros de renda mensal, por um estádio que custou mais de 130 milhões e cujo custo de manutenção é de largos milhares por mês. Tomara os clubes da Liga Sagres poderem contar com uma situação destas. Isto altera a verdade desportiva e resulta da promiscuidade entre o poder político autárquico e o clube local. Não bastou o endividamento que a Câmara teve de assumir para a construção do estádio (severamente criticado pelo Tribunal de Contas), como é, ainda, a autarquia que continua a suportar os custos de manutenção do mesmo. Se calhar o V.Setúbal ou o Estrela da Amadora, com uma intervenção idêntica das respectivas Câmaras, não estariam a passar pelas dificuldades que passam. A actuação da Câmara de Braga adultera a verdade desportiva que António Salvador tanto apregoa.
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João Gabriel, esteja à vontade para também falar da Câmara Municipal do Porto:
Mundial 2018: Mais 310M€ para o Dragão?
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